[Importância] [O romance inaugura o realismo brasileiro] Memórias Póstumas de Brás Cubas é considerado um marco do realismo brasileiro e inaugura essa escola literária no país.
[Distinção] [Machado não adere ao determinismo rígido de outros realistas] Machado de Assis não adere ao determinismo rígido característico de outros autores realistas. Machado de Assis é diferente. Ele reconhece a importância da classe, do dinheiro e das convenções sociais, mas seus personagens não são simples produtos mecânicos do ambiente. Brás Cubas também é formado por vaidade, autoengano, desejo, ressentimento e escolhas pessoais. Sua conduta não pode ser explicada por uma única causa.
[Carreira] [O romance inicia a fase madura de Machado de Assis]
Críticas à Burguesia
Dinheiro, Afeto e Ociosidade
[Exemplo] [Marcela mede o amor em tempo e dinheiro] “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis.”
[MYTAKE] [Brás Cubas se torna ridículo ao gastar tanto com Marcela] É meio ridículo o fato de ele ter dado todo aquele dinheiro.
[Crítica social] [A herança revela a inutilidade produtiva de Brás Cubas] Após a morte de seu pai, Brás Cubas briga temporariamente com sua irmã Sabina e seu cunhado Cotrim por causa da herança. Até esse momento, o narrador-personagem não produziu nada próprio: apenas elaborou planos fracassados, como o casamento, e desfrutou do dinheiro paterno. Machado de Assis parece mostrar a inutilidade social do personagem, uma espécie de sanguessuga que nada produz e em nada contribui para o crescimento da nação.
Humanitismo
[Definição crítica] [Humanitismo transforma o homem em objeto do homem] Para os críticos, o Humanitismo constitui a ideia do “império da lei do mais forte, do mais rico e do mais esperto”.[4] Antonio Candido escreveu que a essência do pensamento machadiano é “a transformação do homem em objeto do homem”, uma das maldições ligadas à falta de verdadeira liberdade econômica e espiritual.[5]
[Sátira] [Humanitismo parodia positivismo, cientificismo e seleção natural] Os críticos observam que o Humanitismo de Machado é uma sátira ao positivismo de Auguste Comte, ao cientificismo do século XIX e à teoria de Charles Darwin sobre a seleção natural.[6]
[Fórmula] [Ao vencedor, as batatas] A teoria do “ao vencedor, as batatas” parodia a ciência da época de Machado e sua divulgação, desnudando ironicamente o caráter desumano e antiético da “lei do mais forte”.
[MYTAKE] [A ironia reduz uma teoria complexa a uma fórmula sarcástica] É interessante como Machado compara o Humanitismo à teoria da evolução, que, apesar de sua complexidade, pode ser resumida sarcasticamente na expressão “ao vencedor, as batatas”.
Adultério e Aparências
[Crítica social] [O adultério revela a hipocrisia moral burguesa] O adultério é recorrente nos romances realistas do século XIX e aparece como crítica à hipocrisia burguesa: a classe defendia valores morais e familiares que, ao que parece, serviam apenas para manter as aparências.
[Estratégia] [A casinha preserva a fachada social do adultério] Brás Cubas pensa em fugir com a amante, mas encontra uma solução que preserva melhor as aparências: alugar uma “casinha” para os encontros. Como fachada, D. Plácida é escolhida para morar ali como se a casa fosse dela.
Herança e Liberalismo de Fachada
[MYTAKE] [O parasitismo de Brás Cubas é apresentado de forma cômica] KKKKKKKKKKKKKKKKK.
[Caracterização] [Brás Cubas é um beneficiário cínico da propriedade herdada] Brás Cubas seria um beneficiário cínico que, como escreve no capítulo final, não trabalhou nem pagou o pão com o suor do rosto,[45] em alusão ao Gênesis: “No suor do teu rosto comerás o teu pão”.[46]
[Interpretação] [O romance retrata o liberalismo de fachada em uma sociedade escravocrata] Roberto Schwarz descreve a obra como um retrato do liberalismo de fachada que convivia com o regime escravocrata.[48]
Final
[Quote] [Pequeno saldo] “Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais; não padeci a morte de D. Plácida, nem a semidemência do Quincas Borba. Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e conseguintemente que saí quite com a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: — Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.”
Estilo
Narrador Defunto
[Função narrativa] [A morte concede ao narrador liberdade para julgar a sociedade] Críticos sociológicos entendem que a condição de protagonista morto permite a Brás narrar sua vida com “total isenção” e inteiramente “desvinculado de qualquer relação com a sociedade”. O descomprometimento proporcionado pela morte lhe dá o poder de dizer, falar, zombar e criticar quem e o que quiser.
[Quote] [Dedicacao ao verme] “Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas”
[MYTAKE] [Acho engracado e contraditorio um narrador defunto]
Ironia e Escrita
[Estilo] [A ironia critica indiretamente a sociedade] Machado de Assis emprega a ironia de forma magistral, com um tom debochado e indireto para criticar a sociedade e os valores da época.
[Tom] [O romance usa brincadeiras para desfazer a seriedade literária] Apesar de sua profundidade, o livro não se leva a sério: suas brincadeiras e ironias desconstroem a seriedade tradicional da literatura da época.
[Linguagem] [Metáforas e figuras de linguagem sofisticam o romance] A obra é rica em metáforas e figuras de linguagem que contribuem para sua beleza e sofisticação estilística.
Modernidade
[Estrutura] [Capítulos curtos produzem uma narrativa fragmentária e não linear] A narrativa é composta por capítulos curtos e não segue uma ordem linear, refletindo a complexidade da vida real e a maneira como histórias são contadas no cotidiano.
[MYTAKE] [Gostei disso] Acho legal esses capitulos curtos, pois as vezes na vida se passam muito tempo com besteiras assim como o livro. Me parece um livro bem realista de certa forma. Principalmente femenologicamente
[Ruptura] [O narrador subjetivo e irônico rompe com o realismo tradicional] Diferentemente da objetividade característica do narrador em obras de Flaubert, Machado rompe com essa tradição por meio de um narrador subjetivo e irônico.
[Metalinguagem] [O narrador comenta o próprio ato de narrar] Machado comenta frequentemente o ato de narrar, estabelece uma relação direta com o leitor e evidencia a artificialidade da narrativa.
[MYTAKE] [A pateticidade de Brás Cubas lembra personagens de Woody Allen] A pateticidade de Brás Cubas lembra, em certa medida, os personagens de Woody Allen: suas reflexões irônicas e autodepreciativas expõem as fragilidades humanas de maneira cômica e melancólica. Muitas vezes preferio personagens assim do que personagens que se levam a sério demais, como os de Dostoiévski, por exemplo. Da um tom mais leve e divertido a vida.
Comments
No comments have been added to this post so far, be the first to add one comment!
No comments have been added to this post so far, be the first to add one comment!